Dos clubes de reggae à Jamaica: conheça a trajetória de Lady Conceição, referência do gênero no Maranhão
Lady Conceição atua há mais de 26 anos no reggae Reprodução/Arquivo pessoal A cantora Lady Conceição, também conhecida como Conceição Croocks, natural...
Lady Conceição atua há mais de 26 anos no reggae Reprodução/Arquivo pessoal A cantora Lady Conceição, também conhecida como Conceição Croocks, natural de São Vicente Ferrer, a cerca de 275 km de São Luís, atua há mais de 26 anos no movimento reggae no Maranhão. Ela iniciou a carreira no gênero musical nos anos 1990 e, atualmente, também trabalha como produtora, promotora, tradutora, assessora e empresária no ramo do reggae. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Segundo lembranças de Lady, já em São Luís, a primeira vez que foi a um show de reggae, foi quando ela ainda tinha 13 anos. Um show realizado na época no Toca da Praia, localizado no bairro da Ponta D´areia. "Um certo dia, teve um show muito grande aqui, promovido com o Ferreirinha da Estrela do Som. E eu tive o prazer de conseguir chegar perto dos artistas que vêm da Jamaica. E eu só tinha 13 anos. Eu gostava do inglês, e eu já falava um pouquinho. E aí, devido a lotação, eu acabei passando mal e conseguiram me colocar pra cima do móvel da radiola, do palco. Lá eu tive aquele contato, a partir dali, eu comecei a vir traduzir, tive contato diretamente com os artistas. " relembra Lady. Ela explica que a longo dos anos, frequentava os clubes, e depois vinha com a tradução. De tradutora, Lady depois começou a atuar também como cantora e empresária. Música uniu maranhense e cantor jamaicano Das radiolas do reggae à Jamaica: maranhense se tornou pioneira feminina no movimento em São Luís. Reprodução/Arquivo pessoal No início dos anos 2000, o promotor de eventos Pinto da Itamaraty, trouxe o cantor da Jamaica Norris Cole para realizar um show aqui no Brasil. Lady conseguiu acompanhar a apresentação juntamente de sua professora, mas lembra que não chegou a ter contato com o artista. "Em outros momentos a gente se encontrou, e aí foi o começo. Ele também é produtor, e eu tinha a vontade de cantar. Foi quando ele disse que eu tinha talento, e aí começou a amizade, ele foi para a Jamaica e aí me prometeu que ia voltar. Quando ele voltou já foi me pedindo em casamento". relembra Lady. Casada há mais de duas décadas com o cantor e produtor jamaicano Norris Cole, Lady Conceição compartilha a vida com uma das personalidades mais respeitadas do reggae. Natural de Kingston, na Jamaica, Norris Cole iniciou a carreira musical ainda jovem e integrou o grupo The Pioneers, que conquistou projeção internacional e ajudou a popularizar o reggae em diversos países. Ao longo de mais de 60 anos de trajetória, o artista trabalhou com nomes consagrados do gênero, como Gregory Isaacs, Dennis Brown, Owen Gray, Justin Hinds, Marcia Griffiths e Delroy Wilson. Há cerca de 20 anos, ele escolheu São Luís para viver ao lado de Lady Conceição, que também atua como cantora e administra o selo Pioneers International. Juntos, os dois se tornaram referências na cena reggae maranhense e contribuíram para fortalecer os laços culturais entre o Maranhão e a Jamaica. Casada há mais de duas décadas com o cantor e produtor jamaicano Norris Cole Júnior, Lady Conceição compartilha a vida com uma das personalidades mais respeitadas do reggae. Reprodução/Arquivo pessoal Após conhecer o seu marido, ela teve a oportunidade de atuar na administração de uma das primeiras lojas de discos do Maranhão, contando com parceria da produtora Joe Gibbs Reggae Music. A partir desse período, a artista passou a investir na produção e no lançamento de trabalhos próprios e de outros nomes da música maranhense, sendo lançados discos autorais, projetos do marido e coletâneas que reuniam diferentes artistas. Ela conta que na época, a pirataria era um desafio para o setor musical, entretanto a prática também contribuía para ampliar a circulação e o alcance de suas músicas junto ao público. Viagem à Jamaica Lady Conceição Reprodução/Arquivo pessoal Ao viajar ao país de origem do gênero musical, a Jamaica, Lady considera que se apaixonou mais ainda pelo reggae a partir da convivência direta com artistas, o que a proporcionou muitos aprendizados. Na Jamaica, ela entendeu que o reggae não predominava tanto como no Maranhão. Lady explica que os jamaicanos curtem mais o black music. "Então eles fazem o reggae e distribuem. Isso foi uma das coisas que me deixou impressionada. Eu falei: Ué, eu estou pensando que eu vou chegar aqui e ouvir um paredão, ver todo mundo dançando. Outra coisa também que eu achei muito diferente foi a dança, se for com reggae, eles dançam diferente da gente. Nossa dança é mais agarradinha, lá eles são mais soltos." disse. Lady explica que foi para a Jamaica entre os 16 e 17 anos, e que teve a oportunidade de estar ao lado de grandes artistas. "Hoje eu consigo olhar e pensar, eu estive de vários artistas. Tenho gratidão a Deus por ter me aproximado e me levado para perto desses artistas." agradeceu. Após um ano no exterior, Lady voltou ao Brasil e identificou que o amor pelo reggae ia além de música. Depois da abertura da loja de discos, Lady iniciou um programa de reggae na rádio em São Luís, sendo uma das primeiras mulheres maranhenses a arrendar um programa do gênero em um veículo radiofônico. O programa era apresentado pelo DJ Jorge Black, que na época, atuava como gerente da loja de discos. No programa era divulgado o trabalho de diversos artistas, como o Eddy Grant. A partir de parcerias, ela realizava eventos independentes com diversos artistas. "É uma paixão, algo em que a gente não visava só o capital, só o dinheiro, mas sim levar alegria e mostrar que o reggae estava ali, forte." afirmou. O acesso ao reggae mudou? De acordo com Lady, as redes sociais possibilitaram um acesso a informações sobre o reggae, que anteriormente só eram possíveis por meio do rádio e através das radiolas. " A gente não tinha muito acesso às músicas, elas ficavam presas nas radiolas" disse. Além disso, ela ressalta que o reggae sofria preconceitos, que atualmente não são vistos com frequência. Ela considera que hoje, existem muitas apresentações de pessoas qualificadas para levar informações sobre o gênero musical, e expressa alegria por ter contribuído com o fortalecimento desse gênero musical. "Tudo que a gente veio construindo, sabe? De alguma forma ajudou. Eu me sinto grata, porque de alguma forma eu ajudei, consegui abrir as portas para algumas mulheres, que hoje estão trabalhando com o reggae". explicou. Atualmente, Lady Conceição é proprietária de selo musical e atua na administração e preservação de catálogos musicais, trabalhando na gestão de lançamentos e plataformas digitais. Pioneira no cenário do reggae no Maranhão, ela consolidou sua atuação como radialista, comunicadora, administradora de loja de discos, promotora de eventos, mantendo o compromisso de abrir espaço para valorização de músicos, bandas e artistas locais, contribuindo para o fortalecimento da cena cultural. Além disso, produziu eventos com artistas jamaicanos, fortalecendo a conexão direta com a cultura original do reggae Família regueira Norris Cole Júnior, filho de Lady Conceição e Norris Cole, artista profissional do reggae. Reprodução/Arquivo pessoal Atualmente, não só Lady Conceição e o seu marido Norris Cole, mas também o fruto desse amor, o filho, Norris Cole Júnior atua como artista profissional. Ainda criança, lançou sua primeira música, e agora leva o estilo por onde passa, cantando por diversas cidades. Em 2025, lançou o álbum “ Reggae In a Different Fashion” com 14 faixas produzidas por ele. Norris Júnior é considerado o filho da lendária linhagem “The Pioneers”, levando no sangue a essência da paixão regueira que iniciou vendo os seus pais, demonstrando que o reggae ultrapassa gerações. *Estagiária sob supervisão de Claudia Pontes. Agora no g1