Primeiro maranhense a receber polilaminina, PM baleado em operação apresenta melhora

Polilaminina é usada pela primeira vez no Maranhão em PM baleado em operação O policial militar Romildo Leobino, de 46 anos, apresentou os primeiros sinais ...

Primeiro maranhense a receber polilaminina, PM baleado em operação apresenta melhora
Primeiro maranhense a receber polilaminina, PM baleado em operação apresenta melhora (Foto: Reprodução)

Polilaminina é usada pela primeira vez no Maranhão em PM baleado em operação O policial militar Romildo Leobino, de 46 anos, apresentou os primeiros sinais de melhora após passar por um procedimento experimental com a substância polilaminina, realizada no Hospital do Servidor, em São Luís, menos de uma semana após a aplicação. Ele é o primeiro maranhense a receber o tratamento, que busca estimular a regeneração de neurônios e reconectar estruturas lesionadas da medula espinhal. O filho do PM, Vinicius Henrique, divulgou um vídeo nas redes sociais mostrando parte da evolução (veja acima). O procedimento foi realizado na última quarta-feira (11). “Após a aplicação da polilaminina já consigo até fazer força em uma das mãos… em uma das mãos, não, nas duas mãos. Não tô ainda conseguindo fechar, mas consigo apertar a mão das pessoas. Tô muito grato. A respiração melhorou significativamente", disse o PM. ➡️A polilaminina vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e ajuda os neurônios a se conectarem (leia mais abaixo). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Romildo foi baleado no pescoço durante uma operação contra o tráfico de drogas em Bom Jardim, a 275 km de São Luís. O crime ocorreu quando o policial entrou em uma casa onde havia suspeita de armazenar drogas e foi atingido por criminosos que estavam no local. Socorrido inicialmente no município, ele precisou ser transferido de helicóptero para a capital por causa da gravidade do ferimento e segue internado sob acompanhamento rigoroso. Como o prazo previsto pelo protocolo oficial do estudo clínico, que recomenda a aplicação da substância em até 72 horas após o trauma, já havia sido ultrapassado, a família entrou com um pedido na Justiça para que Romildo pudesse receber a medicação. A liminar foi solicitada no dia 3 de fevereiro e concedida no dia 5. Segundo familiares e equipe médica, nas primeiras 24 horas já foram observados sinais como contração muscular nas mãos e nas pernas, retirada da sonda urinária e melhora no controle de tronco. De acordo com o boletim médico, a aplicação da polilaminina ocorreu 28 dias após o trauma. Desde então, foram registradas melhora respiratória, ganho de força muscular e maior controle de tronco. A equipe reforça que o paciente segue sob monitoramento contínuo. A realização do procedimento, segundo a direção do Hospital do Servidor, só foi possível graças à estrutura da unidade e à autorização da Comissão de Avaliação de Procedimentos (Cad). A técnica com polilaminina é resultado de pesquisa científica desenvolvida pela bióloga Tatiana Sampaio. A substância utiliza a proteína laminina, presente na placenta humana, com a proposta de estimular a regeneração de neurônios na medula espinhal. Estudos já registraram resultados positivos no Brasil, incluindo o caso de um paciente tetraplégico que voltou a movimentar o corpo. Romildo Leobino, de 46 anos, apresentou os primeiros sinais de melhora após passar por um procedimento experimental com a substância polilaminina Reprodução/Redes Sociais A pesquisa pioneira e 100% nacional Cientistas brasileiros usam proteína da placenta para devolver parte dos movimentos de cães e humanos que tiveram lesão na medula Reprodução/TV Globo A bióloga Tatiana Sampaio conseguiu produzir em laboratório a polilaminina, uma rede de proteínas que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida. O estudo extraiu proteínas de placentas e aplicou a polilaminina em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. A substância foi capaz de recriar conexões entre os neurônios no cérebro e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis pacientes. Um deles, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sozinho. Agora, a polilaminina deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e entra na primeira fase de testes para a aprovação de um novo medicamento pela Anvisa. Nessa etapa inicial, as equipes vão avaliar a segurança do uso da substância, observando se ela provoca ou não reações adversas. Cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação de polilaminina até 48 horas após o trauma. Segundo o protocolo, elas serão acompanhadas por seis meses. Se não houver reações adversas graves, terão início as próximas fases do estudo clínico, que vão avaliar se a polilaminina é, de fato, eficaz para devolver movimentos ao corpo. Estudada pela professora há quase três décadas, a substância é a esperança de pacientes que sofreram lesão na medula espinhal e perderam movimentos parciais ou totais do corpo. Contudo, o caminho para que o medicamento possa chegar a hospitais e ao Sistema Único de Saúde (SUS) é longo e depende de uma série de etapas e análises rigorosas: Concluir os estudos da fase 1 que estão em andamento na Anvisa. Nesta etapa é analisada a segurança do medicamento com ensaios regulatórios em humanos. Ampliar os testes nas fases 2 e 3, em que é avaliada a eficácia, doses adequadas e efeitos adversos em populações maiores. Solicitar registro sanitário, para que o medicamento possa ser comercializado.