PSB expulsa prefeito de Campestre do Maranhão após mensagens sobre apoio a Flávio Bolsonaro; ele diz que já estava desfiliado
Prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda
Prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda
Reprodução/Redes sociais
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) expulsou o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda, após a repercussão de mensagens atribuídas ao gestor envolvendo apoio político a candidatos de outras legendas, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), e supostas ameaças a servidores por questões eleitorais.
A decisão foi formalizada pela Comissão Estadual do PSB no Maranhão por meio da Resolução nº 008/2026, aprovada em sessão extraordinária realizada no último sábado (8). O partido afirma que Bermuda cometeu “grave infidelidade partidária” e praticou atos em desacordo com as orientações das instâncias dirigentes da legenda.
✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp
Após a repercussão do caso, Fernando Bermuda divulgou uma nota na qual reconheceu que utilizou palavras e um tom inadequados durante uma conversa informal em um grupo. O prefeito, no entanto, negou que tenha ameaçado, coagido ou perseguido servidores em razão de posicionamento político ou voto.
Segundo Bermuda, nenhum funcionário público municipal foi demitido, afastado ou punido por questões eleitorais (leia, ao final da matéria, a nota na íntegra).
Na resolução que determinou a expulsão, o PSB afirma que foram divulgadas, em 7 de agosto, informações de que o prefeito teria encaminhado mensagens por meio de grupos e canais de transmissão de aplicativo de mensagens solicitando apoio político a pré-candidatos ligados a outras legendas.
O documento cita inclusive apoio a candidaturas à Presidência e à Vice-Presidência da República de partido diferente do PSB.
A resolução, no entanto, não cita nominalmente Flávio Bolsonaro e também não descreve o conteúdo das supostas ameaças a servidores. Esses pontos fazem parte da repercussão das mensagens e da manifestação apresentada pelo próprio prefeito, que negou ter praticado coação ou perseguição política.
PSB diz que houve atuação organizada em favor de outros partidos
Na decisão, o PSB afirma que o episódio não foi considerado apenas uma manifestação individual de preferência eleitoral.
Para a direção estadual, as manifestações atribuídas ao prefeito demonstrariam uma “atuação política organizada” em favor de candidaturas de outros partidos, em prejuízo das candidaturas e das orientações definidas pelo PSB.
O partido também considerou como agravante o fato de Fernando Bermuda exercer um mandato de prefeito conquistado pela legenda.
Segundo a resolução, por ser titular de um mandato majoritário obtido pelo PSB, o prefeito teria uma responsabilidade ainda maior de seguir os princípios, as decisões e as orientações partidárias.
O partido argumenta ainda que a atuação em benefício de candidatos de outras siglas representa uma ruptura dos deveres de fidelidade previstos no estatuto.
A direção estadual afirma que o episódio também atingiu a estratégia eleitoral nacional do PSB para as eleições de 2026.
O documento menciona especificamente que a atuação atribuída a Bermuda contrariou as candidaturas apoiadas pela direção partidária, incluindo a candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República.
Partido cita possível abuso de poder político
A resolução também afirma que as condutas atribuídas ao prefeito apresentam, “em tese”, características de possíveis ilícitos eleitorais.
Entre eles, o PSB cita a possibilidade de abuso de poder político, em razão do eventual uso da influência, da posição e das prerrogativas decorrentes do cargo de prefeito para promover candidaturas e solicitar apoio político.
O próprio partido ressalta, entretanto, que cabe à Justiça Eleitoral apurar e julgar a eventual prática de ilícitos eleitorais.
No documento, a direção do PSB afirma que não considera o episódio uma divergência interna comum ou uma manifestação isolada de opinião política.
Para a legenda, a conduta atribuída a Fernando Bermuda representa um rompimento com a fidelidade partidária e uma afronta às decisões tomadas pela direção do partido.
Expulsão e cancelamento da filiação
A expulsão de Fernando Bermuda está prevista no artigo 1º da resolução. Segundo o PSB, a punição foi aplicada com fundamento no artigo 9º, alínea “g”, do estatuto partidário.
No artigo seguinte, o partido afirma que a expulsão decorre de “grave infidelidade partidária”, caracterizada pela atuação política em favor de pré-candidatos vinculados a outras legendas e em desacordo com as decisões do PSB.
Para justificar a aplicação da punição máxima, o partido apontou oito circunstâncias consideradas agravantes, entre elas:
o fato de Bermuda exercer mandato de prefeito conquistado pelo PSB;
a atuação política em favor de candidaturas de outras legendas;
o descumprimento de orientações da direção do partido;
a repercussão pública do episódio;
a afronta à autoridade da Direção Nacional;
a atuação contrária ao projeto eleitoral nacional do PSB;
o impacto sobre a estratégia política do partido nas eleições de 2026;
e a incompatibilidade da conduta com os deveres de um filiado que exerce mandato eletivo pela legenda.
Com a expulsão, a filiação partidária de Fernando Bermuda deverá ser cancelada. A Secretaria de Organização Estadual do PSB foi encarregada de tomar as providências administrativas necessárias para registrar a decisão.
A resolução também determina que a medida seja comunicada à Direção Nacional do PSB, à Comissão Executiva Nacional e aos órgãos partidários estaduais e municipais.
De acordo com o documento, a resolução foi aprovada pela maioria da Comissão Executiva Estadual e, entre os membros presentes à reunião, por unanimidade. A decisão é datada de 8 de agosto de 2026.
O que diz Fernando Bermuda
Ao g1, o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Bermuda, afirmou que já se encontrava desfiliado do Partido Socialista Brasileiro (PSB) desde 21 de maio de 2025, antes da resolução aprovada pela Executiva Estadual da legenda que determinou a expulsão dele.
Segundo o prefeito, a informação consta no extrato oficial de filiação partidária da Justiça Eleitoral. Ele afirma que, quando a resolução foi aprovada, em 8 de agosto de 2026, já não fazia parte do PSB havia mais de um ano.
Em nota, Fernando Bermuda afirmou que, apesar de o partido ter aprovado uma resolução anunciando a expulsão, a medida não teria resultado na retirada dele dos quadros da legenda, porque, segundo o prefeito, o vínculo partidário já havia sido encerrado anteriormente.
Sobre a fala relacionada ao voto de servidores, que vem sendo divulgada, o prefeito disse que a declaração ocorreu durante uma conversa informal em um grupo e reconheceu que usou “palavras e um tom inadequados”.
Fernando Bermuda afirmou ainda que nenhum servidor foi demitido, afastado, perseguido ou punido por posicionamento político ou voto. Segundo ele, não houve coação, ameaça ou medida administrativa contra servidores por questões eleitorais.
Veja a nota na íntegra
''Sobre a suposta expulsão do prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Bermuda, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), é necessário esclarecer uma informação objetiva e comprovada documentalmente.
Embora a Executiva Estadual do PSB tenha aprovado, em 8 de agosto de 2026, uma resolução declarando a expulsão de Fernando Bermuda, o prefeito já se encontrava desfiliado do partido desde 21 de maio de 2025, conforme consta no extrato oficial de filiação partidária da Justiça Eleitoral.Portanto, quando a referida resolução foi aprovada, Fernando Bermuda já não integrava os quadros do PSB há mais de um ano.
Em termos objetivos, houve uma resolução partidária anunciando uma expulsão, porém não houve efetivamente a expulsão de um filiado, uma vez que o vínculo partidário já havia sido encerrado anteriormente.
Sobre a fala que vem sendo divulgada, esclareço que ela ocorreu durante uma conversa informal em um grupo e, no calor do momento, utilizei palavras e um tom inadequados, que acabaram sendo interpretados de uma forma diferente do que de fato ocorreu.
Reconheço que me expressei de maneira exagerada e poderia ter escolhido melhor as palavras. No entanto, é importante deixar claro que nenhum servidor foi demitido, afastado, perseguido ou sofreu qualquer tipo de punição em razão de posicionamento político ou voto.
O voto é livre e secreto, e esse direito sempre foi e continuará sendo respeitado. Não houve coação, ameaça ou qualquer medida administrativa contra servidores por questões eleitorais.
Assumo o erro no tom da fala, mas reafirmo que as interpretações de que teria ocorrido demissão ou perseguição política não correspondem aos fatos.”
Assessoria de Comunicação - Fernando Bermuda