'Estou deformada', diz uma das vítimas agredidas por capitão da PM em posto no MA
Sara Pinto Brito disse que tentou ajudar uma mulher que era agredida por um capitão da PM e acabou sendo atacada pelo militar
Sara Pinto Brito disse que tentou ajudar uma mulher que era agredida por um capitão da PM e acabou sendo atacada pelo militar
Uma das mulheres agredidas pelo capitão da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva disse que não conhecia a outra vítima e que tentou ajudá-la ao perceber as agressões. Identificada como Sara Pinto Brito, ela falou pela primeira vez sobre o caso nesta quarta-feira (7), em entrevista à TV Mirante.
Sara havia saído para se divertir com amigos e estava na loja de conveniência do posto de combustível, em São Luís, quando percebeu a agressão contra a outra mulher e decidiu intervir.
Segundo Sara, ela estava em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis, quando viu a outra mulher caída no chão. A vítima, que também é policial militar, já estava sendo agredida quando Sara decidiu intervir.
“Eu estava lá, quando eu olho, ela está caída no chão e meu impulso veio na minha cabeça, ajuda ela ou ele vai matar ela.”
Sara contou que tentou afastar o capitão da outra mulher e que não esperava ser atacada. Segundo ela, naquele momento, também não havia percebido que o policial estava armado.
“Meu impulso foi ir para cima, para afastar ele. Em nenhum momento eu achei que ele fosse vir para cima de mim, entendeu? Eu empurro, tentando só afastar e nisso ele veio para cima de mim. E nessa que ele veio para cima de mim, ele já vem com a arma em punho e começa a me dar muita, muita coronhada, muita coronhada, muita coronhada”, disse a vítima.
Sara, uma das vítimas agredidas por um capitão da Polícia Militar em um posto de combustíveis, em São Luís
Reprodução/ TV Mirante
De acordo com o relato da vítima, as agressões continuaram mesmo depois que ela perdeu a consciência. “Na hora que eu fico desacordada. Depois que eu apago, que eu desmaio, ele continua me batendo, ele sai, volta, me dá muito chute na cara, me dá coronhada na cara.”
Imagens registradas no local mostram Sara se aproximando da outra vítima e, em seguida, sendo agredida pelo militar. Ela afirmou que não conhecia a mulher antes do episódio. Durante a ocorrência, o policial também aparece com uma arma na mão. Um disparo atingiu um homem que estava no local.
Sara afirmou que ainda sente os efeitos do episódio. “De lá para cá eu estou muito abalada, não estou conseguindo nem dormir.”
Ao falar sobre as agressões que sofreu, Sara disse esperar que o caso seja responsabilizado pela Justiça. “Eu espero que dessa vez, dessa vez, justiça seja feita, porque não é possível eu só tentar defender alguém e ficar dessa forma aqui como eu estou, toda deformada, porque eu estou deformada.”
Jurambergson também responde a um processo de 2023 por violência doméstica envolvendo a mesma policial militar que Sara afirma ter tentado ajudar. O caso ainda não foi julgado.
Pedido de prisão
A Polícia Civil pediu a prisão do militar ainda no sábado (3), mas o pedido foi negado pela Justiça em razão das restrições previstas na legislação eleitoral para a prisão de eleitores no período próximo à votação.
Na terça-feira (6), Jurambergson Gomes Soeiro prestou depoimento na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís. Após ser ouvido, ele foi liberado porque não havia mandado de prisão em aberto contra ele.
O capitão também foi afastado das funções na Polícia Militar. Um procedimento administrativo disciplinar foi aberto para apurar a conduta dele.
A Comissão de Direito e Advocacia Militar da Ordem dos Advogados do Brasil acompanha o andamento dos procedimentos relacionados ao caso.
Capitão da PM presta depoimento
Capitão da PM investigado por agredir mulher e atirar contra outra presta depoimento e é liberado em São Luís
O capitão da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva prestou depoimento na terça-feira (6), na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, e foi liberado por não haver mandado de prisão contra ele. O militar é investigado por agredir uma policial militar e disparar contra outra mulher em um posto de combustível.
Segundo informações da polícia, a delegada responsável pela investigação pediu a prisão do capitão ainda no sábado (3), dia em que as agressões aconteceram. A Justiça, no entanto, negou o pedido por causa do período de restrição eleitoral que estava em vigor.
Jurambergson é investigado pela Delegacia Especial da Mulher (DEM) de São Luís. O caso aconteceu em um posto de combustível na Avenida Jerônimo de Albuquerque, próximo ao Elevado da Cohama, e foi registrado por câmeras de videomonitoramento.
A SSP informou ainda que elementos do caso serão encaminhados ao Ministério Público e que, na esfera administrativa, a Corregedoria da Polícia Militar mantém procedimentos para apurar a conduta do oficial.
O crime
Capitão da PM agride mulher e atira contra outra em posto de combustível em São Luís
As imagens mostram o capitão agredindo uma mulher com socos e chutes. A vítima, que também é policial militar, cai no chão durante as agressões. Em seguida, Jurambergson saca uma arma e dispara contra outra mulher que estava no local. Segundo as informações da investigação, ela é amiga da policial agredida.
Um homem também ficou ferido na região do pescoço durante a ocorrência e precisou de atendimento médico.
A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do caso. Uma das vítimas já prestou depoimento. A segunda vítima e testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias.
Além da investigação da Polícia Civil, a conduta do capitão também é apurada internamente pela Polícia Militar. Após a repercussão do caso, o comandante-geral da PMMA determinou o afastamento de Jurambergson das funções operacionais e a abertura de um procedimento na Corregedoria-Geral da corporação.
A policial militar que aparece sendo agredida nas imagens recebe acompanhamento da Patrulha Maria da Penha.
Em nota divulgada após o caso, a PM afirmou que as imagens e outros elementos da ocorrência serão considerados na apuração e que adotará as medidas administrativas cabíveis.
