VÍDEO: Pescadores denunciam morte de boto e peixe-boi presos em redes de pesca em Icatu, no MA

Morte de peixe-boi e boto-cinza em Icatu gera denúncia de pesca predatória

VÍDEO: Pescadores denunciam morte de boto e peixe-boi presos em redes de pesca em Icatu, no MA
VÍDEO: Pescadores denunciam morte de boto e peixe-boi presos em redes de pesca em Icatu, no MA (Foto: Reprodução)

Morte de peixe-boi e boto-cinza em Icatu gera denúncia de pesca predatória
Dois pescadores denunciaram, em vídeos publicados nas redes sociais, a morte de um boto e de um peixe-boi em uma área de pesca de Icatu, a 111 km de São Luís. Segundo os pescadores, os animais ficam presos acidentalmente nas redes usadas na pesca e acabam morrendo (assista acima).
Em um dos vídeos, um dos pescadores denuncia o uso de redes de “malhão” durante a pesca e afirma que o equipamento coloca em risco animais marinhos que vivem na região.
O caso ocorre em uma região onde mortes de animais marinhos já foram registradas anteriormente. Ao g1, o Instituto Amares, licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente, afirma que episódios desse tipo são recorrentes na Baía de São José e na região do Arraial.
Segundo o Amares, durante a Semana do Meio Ambiente de 2025, por exemplo, o instituto registrou três botos-cinza e um peixe-boi-marinho mortos na região. O boto-cinza (Sotalia guianensis) é considerado ameaçado de extinção no Maranhão, segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema).
A Sema informou que estudos apontam a interação dos animais com a pesca e a perda da qualidade dos ambientes costeiros como algumas das principais causas de encalhes.
De acordo com o biólogo Eldevan Barbosa, a tendência é que esse cenário continue enquanto não houver o fortalecimento das ações de educação ambiental. Segundo ele, existe uma cultura de caça e pesca ilegais em algumas comunidades, o que provoca impactos significativos tanto na fauna terrestre quanto na aquática.
“Esse problema se torna ainda mais preocupante quando envolve espécies raras ou ameaçadas de extinção, como o boto-cinza. Em algumas comunidades, a captura desses animais acaba sendo vista como símbolo de prestígio, habilidade ou até privilégio, contribuindo para a continuidade dessa prática”, explicou.
O biólogo acrescenta que é necessário promover uma mudança de percepção, mostrando que o verdadeiro valor está na conservação da biodiversidade, e não na captura desses animais. Quanto maior a sensibilização da comunidade, maiores serão as chances de reduzir essas práticas e garantir a preservação dessas espécies para as futuras gerações.
O que diz a Secretaria de Meio Ambiente
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais informou que não possui um levantamento do número de encalhes registrados em Icatu. Estudos ambientais, porém, indicam a presença desses animais nas baías de São Marcos e de São José, além de outros pontos do litoral maranhense.
Segundo a Sema, o boto-cinza está na Lista Estadual de Fauna Ameaçada de Extinção, conforme a Resolução nº 082/2025.
A secretaria afirma que promove campanhas de educação ambiental em comunidades costeiras, colônias e sindicatos de pescadores. As ações também incluem capacitações para servidores municipais, professores e atividades em escolas da costa maranhense.
O objetivo, segundo o órgão, é orientar a população sobre a importância da conservação das espécies ameaçadas, dos locais onde esses animais vivem e das normas ambientais de proteção da fauna.
Instituto relata outras mortes de animais marinhos
O Instituto Amares informou que acompanha as ocorrências registradas na região. A entidade atua no atendimento a animais marinhos encontrados mortos ou encalhados ao longo da costa do Maranhão.
Segundo o instituto, os casos registrados na Baía de São José e na região do Arraial atingem áreas costeiras de São José de Ribamar, São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e Icatu.
Moradores dessas comunidades, de acordo com o Amares, relatam a entrada de embarcações que usam redes de malhão na região. O instituto afirma que esse tipo de equipamento estaria relacionado à captura acidental de animais marinhos.
Moradores também relataram ao instituto falta de fiscalização e disseram que alguns ocupantes dessas embarcações teriam intimidado pescadores locais com armas de fogo. Essas informações são relatos recebidos pelo Amares e não tiveram comprovação independente.
Na sexta-feira (7), o instituto informou ter recebido um novo registro de um peixe-boi-marinho morto na região.
Instituto orienta população sobre animais encalhados
O Amares orienta que animais mortos ou encalhados não sejam devolvidos ao mar. Segundo o instituto, a retirada da carcaça pode dificultar o resgate e impedir exames que ajudam a identificar a causa da morte.
Quando for possível e não houver risco, a orientação é manter o animal ou a carcaça em um local protegido, longe de pessoas e animais domésticos, até a chegada da equipe responsável.
O Instituto Amares recebe informações sobre essas ocorrências pelo Disque-Encalhe: (98) 98836-1717.
Segundo a entidade, o recolhimento das carcaças permite investigar as causas das mortes, as condições ambientais da região e possíveis ameaças às espécies. O instituto afirma ainda que o resgate é feito independentemente do estado de decomposição da carcaça. Depois, o material recebe destinação e tratamento adequados.
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Icatu para pedir um posicionamento, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Vídeo: Morte de botos e peixe-boi acende alerta para crime ambiental em Icatu
Reprodução/Divulgação
Nota da Sema
“A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informa que os botos-cinza (Sotalia guianensis) estão classificados como ameaçados de extinção na Lista Estadual de Fauna Ameaçada de Extinção (Resolução CONSEMA nº 082/2025). A Sema não possui o quantitativo de encalhes ocorridos no município de Icatu, mas estudos ambientais indicam a presença dessas espécies nas baías de São Marcos e de São José, em diferentes pontos do Litoral Ocidental e Oriental do Maranhão. A literatura científica aponta como principais causas desses encalhes a interação negativa com a pesca e a perda da qualidade dos ecossistemas costeiros e estuarinos.
A Sema tem realizado campanhas de educação ambiental, divulgando a lista de espécies ameaçadas de extinção nas comunidades costeiras, colônias e sindicatos de pesca. Também tem ministrado capacitações para técnicos das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e professores da rede municipal sobre a temática, além de realizar ações em escolas municipais ao longo da costa maranhense, com o intuito de divulgar a importância da conservação das espécies ameaçadas e dos habitats que elas utilizam, assim como a legislação ambiental relacionada às espécies ameaçadas.
Nos casos de encalhe, o Corpo de Bombeiros, o Batalhão de Polícia Ambiental e os órgãos ambientais podem ser acionados, pois atuam de forma conjunta. O Instituto Amares, licenciado pela Sema, também pode ser acionado para o resgate e a reabilitação de animais costeiros e marinhos.”

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